Redação

Escrever uma boa redação envolve muito mais do que conhecer regras gramaticais. É necessário compreender o tema, organizar ideias, estabelecer relações entre argumentos e apresentar o pensamento de maneira clara e coerente.

Para muitos estudantes, começar a escrever pode ser uma das partes mais difíceis. A folha em branco, o receio de não encontrar argumentos ou a preocupação com erros podem tornar a atividade mais cansativa do que precisa ser.

A escrita, entretanto, é uma habilidade que pode ser desenvolvida com leitura, planejamento, prática e revisão. Quanto mais o estudante compreende o processo de construção de um texto, mais fácil pode se tornar organizar aquilo que deseja comunicar.

Compreender o tema é o primeiro passo

Antes de começar a escrever, é importante ler atentamente a proposta.

Um erro comum é identificar apenas uma palavra principal do tema e produzir um texto sobre um assunto relacionado, mas que não responde exatamente ao que foi solicitado.

Por isso, pode ser útil perguntar:

  • Qual é o assunto central?
  • Existe algum recorte específico?
  • O que a proposta realmente pede?
  • Há textos de apoio?
  • Qual tipo de texto deve ser produzido?

Essas perguntas ajudam a evitar que a redação se afaste do tema.

Ler a proposta mais de uma vez também pode ser útil, especialmente em avaliações que apresentam textos motivadores, gráficos, notícias ou outras informações complementares.

Planejar antes de escrever

Alguns estudantes começam imediatamente pela introdução e tentam descobrir os argumentos enquanto escrevem.

Isso pode funcionar em determinadas situações, mas também pode resultar em repetição, perda de foco ou dificuldade para concluir o texto.

Criar um pequeno planejamento antes de começar pode tornar o processo mais organizado.

O estudante pode anotar:

  • ideia principal;
  • possíveis argumentos;
  • exemplos;
  • informações importantes;
  • ordem dos parágrafos;
  • possível conclusão.

Esse planejamento não precisa ser longo.

Alguns minutos dedicados à organização podem economizar tempo durante a escrita.

A introdução apresenta o caminho do texto

A introdução é responsável por apresentar o assunto e orientar o leitor sobre aquilo que será desenvolvido.

Em uma redação dissertativo-argumentativa, por exemplo, é comum que o estudante apresente o tema e indique a perspectiva que será defendida ao longo do texto.

Isso não significa que exista apenas uma fórmula correta.

O mais importante é que a introdução esteja relacionada ao desenvolvimento e prepare o leitor para os argumentos seguintes.

Uma introdução muito genérica pode dificultar essa conexão.

Por isso, é interessante evitar frases que poderiam ser utilizadas em praticamente qualquer redação.

Quanto mais clara for a relação com o tema específico, mais fácil será manter a unidade do texto.

Cada parágrafo pode desenvolver uma ideia

Organizar os argumentos em parágrafos ajuda o leitor a acompanhar o raciocínio.

Um parágrafo de desenvolvimento pode apresentar uma ideia central e, em seguida, explicá-la por meio de exemplos, relações, causas, consequências ou outras informações relevantes.

Misturar muitos assuntos diferentes no mesmo parágrafo pode tornar o texto confuso.

Uma pergunta útil é:

“Qual é a principal ideia que quero defender neste parágrafo?”

Se a resposta não estiver clara, talvez seja necessário reorganizar o conteúdo.

Também é importante estabelecer ligação entre os parágrafos para que a redação não pareça apenas uma sequência de informações independentes.

Argumentar não é apenas dar opinião

Uma redação argumentativa exige mais do que afirmar que algo é bom, ruim, importante ou preocupante.

É necessário explicar por quê.

Um argumento pode ser fortalecido quando o estudante apresenta razões, consequências, exemplos ou conhecimentos relacionados ao tema.

Por exemplo, em vez de simplesmente afirmar que determinado problema afeta a sociedade, é possível explicar de que maneira isso acontece e quais grupos ou situações são envolvidos.

Essa explicação demonstra desenvolvimento do raciocínio.

O objetivo não é utilizar palavras difíceis, mas construir ideias compreensíveis e bem sustentadas.

Repertório precisa ter relação com o tema

Filmes, livros, acontecimentos históricos, pesquisas, obras artísticas e conhecimentos de outras disciplinas podem enriquecer uma redação.

Entretanto, citar uma referência apenas para demonstrar conhecimento nem sempre contribui para o texto.

O repertório precisa estar relacionado ao argumento.

Uma referência bem utilizada ajuda a explicar ou sustentar uma ideia.

Quando aparece de maneira desconectada, pode parecer apenas uma informação inserida artificialmente.

Por isso, mais importante do que memorizar muitas citações é aprender a relacionar conhecimentos diferentes ao tema proposto.

História, Geografia, Sociologia, Literatura e atualidades podem fornecer diversos elementos úteis para a construção de argumentos.

Coesão ajuda a conectar as ideias

Um texto precisa apresentar relações claras entre suas partes.

Palavras e expressões como “além disso”, “por outro lado”, “portanto”, “nesse sentido” e “consequentemente” podem ajudar a estabelecer essas conexões.

Esses recursos são chamados de elementos de coesão.

Entretanto, utilizá-los em excesso ou de maneira inadequada pode deixar a redação artificial.

O conectivo precisa corresponder à relação entre as ideias.

Se o segundo argumento acrescenta uma informação, um conectivo de oposição pode não fazer sentido.

Compreender a função dessas expressões costuma ser mais importante do que simplesmente memorizar listas.

Coerência mantém o sentido do texto

Coerência está relacionada à lógica das ideias apresentadas.

Um texto pode estar gramaticalmente correto e ainda apresentar problemas se seus argumentos se contradizem ou não possuem relação clara.

Durante a revisão, o estudante pode verificar:

  • Minha conclusão está de acordo com aquilo que desenvolvi?
  • Os argumentos realmente sustentam a ideia principal?
  • Existem informações contraditórias?
  • Alguma parte parece não ter relação com o restante?

Essa leitura ajuda a perceber problemas que podem passar despercebidos durante a escrita.

Clareza é mais importante do que palavras difíceis

Existe a ideia de que uma boa redação precisa utilizar palavras muito sofisticadas.

Na prática, vocabulário adequado é importante, mas palavras difíceis utilizadas incorretamente podem prejudicar a compreensão.

O objetivo principal da escrita é comunicar uma ideia.

Frases claras e bem construídas costumam ser mais eficientes do que períodos muito longos e complicados.

Ampliar o vocabulário é positivo e pode acontecer principalmente por meio da leitura.

Entretanto, o estudante deve utilizar palavras cujo significado realmente compreenda.

Gramática também merece atenção

Ortografia, pontuação, concordância e construção das frases fazem parte da qualidade do texto.

Erros podem acontecer durante a primeira versão, especialmente quando a atenção está concentrada na organização das ideias.

Por isso, a revisão é tão importante.

Algumas dificuldades aparecem repetidamente.

Um estudante pode perceber, por exemplo, que costuma ter dúvidas com vírgulas, acentuação ou concordância.

Identificar esses padrões permite estudar exatamente os pontos que precisam de maior atenção.

A gramática pode ser trabalhada junto à produção textual, e não apenas por meio de exercícios isolados.

A conclusão precisa conversar com o restante

A conclusão encerra o raciocínio desenvolvido.

Ela não deve parecer um novo assunto inserido no último momento.

Em textos argumentativos, é possível retomar a questão central e apresentar uma síntese da discussão.

Dependendo do tipo de redação solicitado, também podem existir exigências específicas para a conclusão.

No ENEM, por exemplo, a proposta de intervenção possui características próprias que devem ser estudadas de acordo com os critérios da avaliação.

Em outros vestibulares ou atividades escolares, a estrutura esperada pode ser diferente.

Por isso, compreender o gênero textual e os critérios da avaliação é fundamental.

Revisar faz parte da escrita

A primeira versão não precisa ser considerada definitiva.

Revisar é uma etapa do processo.

Depois de terminar, pode ser útil reler o texto procurando diferentes tipos de problemas.

Primeiro, observar o conteúdo:

  • respondi ao tema?
  • os argumentos estão claros?
  • existe repetição?
  • a conclusão está relacionada ao desenvolvimento?

Depois, observar a linguagem:

  • há erros de ortografia?
  • as frases estão completas?
  • a pontuação está adequada?
  • existem palavras repetidas em excesso?

Separar essas duas leituras pode facilitar a revisão.

Ler contribui para escrever melhor

A leitura oferece contato com diferentes formas de organizar ideias, utilizar vocabulário e construir argumentos.

Isso não significa que seja necessário ler apenas grandes obras literárias.

Reportagens, artigos, livros, ensaios e textos de diferentes áreas também podem contribuir.

Quanto maior o contato com textos bem escritos, mais referências o estudante possui para compreender como a linguagem pode ser utilizada.

Além disso, a leitura amplia repertório, o que pode ajudar na argumentação.

Ler e escrever são habilidades que frequentemente se fortalecem juntas.

Praticar ajuda a reduzir a insegurança

Produzir redações apenas perto de uma prova pode tornar o processo mais difícil.

A prática frequente permite identificar dificuldades e acompanhar a evolução.

O estudante pode começar com pequenos exercícios.

Criar apenas uma introdução, elaborar argumentos para determinado tema ou reescrever um parágrafo são exemplos.

Nem todo treino precisa envolver uma redação completa.

Também é útil comparar textos produzidos em momentos diferentes.

Essa comparação pode mostrar avanços que nem sempre são percebidos no dia a dia.

Dificuldade para escrever não significa falta de capacidade

Alguns estudantes possuem boas ideias, mas encontram dificuldade para organizá-las no papel.

Outros escrevem com facilidade, porém precisam desenvolver argumentação ou revisar aspectos gramaticais.

Essas diferenças fazem parte do processo de aprendizagem.

A escrita é uma habilidade complexa e envolve diversos conhecimentos ao mesmo tempo.

Por isso, dificuldades específicas podem ser trabalhadas de forma gradual.

Em vez de pensar apenas “não sei escrever”, pode ser mais útil identificar exatamente onde está o problema: compreensão do tema, organização, argumentação, gramática, conclusão ou revisão.

O papel do professor no desenvolvimento da escrita

O professor pode ajudar o estudante a compreender seus pontos fortes e identificar aspectos que precisam ser desenvolvidos.

Uma correção detalhada pode ir além da indicação de erros.

Ela pode mostrar por que determinado argumento ficou pouco desenvolvido, onde houve perda de coerência ou como uma frase poderia ser construída com maior clareza.

Em aulas particulares, o trabalho pode ser direcionado às necessidades específicas do estudante.

Também é possível praticar redações para escola, vestibulares, ENEM, concursos ou outros objetivos.

O acompanhamento pode ajudar o aluno a construir maior autonomia para planejar, escrever e revisar seus próprios textos.

Escrever é organizar e comunicar ideias

Uma boa redação não nasce necessariamente pronta.

Ela pode ser construída por etapas.

Compreender o tema, planejar, desenvolver argumentos, revisar e reescrever fazem parte desse processo.

No Uma Jornada, acreditamos que desenvolver a escrita também significa desenvolver capacidade de reflexão, interpretação e comunicação.

Quanto mais o estudante compreende o próprio processo de escrita, maior pode ser sua autonomia para transformar pensamentos em textos claros e organizados.

Importante

As informações apresentadas possuem caráter exclusivamente educativo e informativo e não substituem avaliação pedagógica, orientação escolar ou acompanhamento realizado por professores e outros profissionais habilitados. Dificuldades com interpretação de propostas, organização de ideias, argumentação, gramática, coesão ou produção textual podem ocorrer por diferentes razões e não devem ser utilizadas, isoladamente, para definir a capacidade ou o potencial de um estudante. Cada pessoa possui um ritmo e uma trajetória de aprendizagem próprios. Quando houver dificuldades persistentes ou impacto significativo no desempenho escolar, pode ser adequado buscar orientação de professores, da instituição de ensino ou de profissionais qualificados.

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